Mundo
Crise migratória: Mais de 1.500 pessoas entraram em Ceuta a nado
A cidade espanhola de Ceuta acaba de se declarar em "absoluta emergência humanitária e social".
Nos últimos dez dias, entre 1.500 a 2.000 pessoas conseguiram chegar a Ceuta, depois de se terem atirado ao mar, em Marrocos, e nadado até à cidade espanhola.
As autoridades de Ceuta dizem-se preocupadas e esta quinta-feira pediram ao Governo de Espanha para ser declarada no território a situação de "emergência nacional", assim como solicitaram o envio de meios do Estado central para gerir a "crise migratória".
O presidente da Cidade Autónoma de Ceuta, Juan Jesus Vivas, explicou aos jornalistas que o número de migrantes que chegaram àquele enclave no norte de África "é o equivalente a 2% de toda a população de Ceuta. É como se tivessem entrado por via marítima e de maneira irregular um milhão de pessoas em Espanha nos últimos dez dias".
Face a estes números, Ceuta declarou-se em "absoluta emergência humanitária e social", alertou Juan Jesus Vivas. E porque a cidade não tem meios suficientes para responder à dimensão do problema também exigiu uma "atuação consequente através de um comando único que garanta uma resposta enérgica, decidida e imediata", avançou o governante .
Alguns migrantes que entraram em Ceuta nos últimos dez dias, citados pela comunicação social, falam num "efeito chamada", provocado por uma sentença proferida pelo Supremo Tribunal de Espanha no início deste mês.
A decisão diz que os migrantes que chegam ao país por mar, de forma ilegal, não podem ser devolvidos de imediato às autoridades de outro Estado.
A entrega às autoridades de outro país não se aplica quando a entrada faz-se através do mar, só a quem entra em Espanha "superando os elementos de contenção fronteiriça estabelecidos, como vedações", decidiu o tribunal.
Maioria dos que chegam a nada são jovens e crianças
Por causa das boas condições do mar e do tempo, é no verão que a pressão migratória é mais permanente em Ceuta. No entanto, o presidente da cidade diz que nos últimos dez dias a cidade tem assistido a "picos de especial intensidade" que se transformaram numa "emergência nacional".
Algumas fontes avançaram aos jornalistas que a maioria dos que chegam a nado a Ceuta são jovens com menos de 30 anos e também várias centenas de crianças.
Também os centros de acolhimento temporários de emergência para migrantes acabam por acusar essa pressão da chegada das pessoas e as autoridades dizem que estão com lotação esgotada. A capacidade é de 512 lugares, mas neste momento estão cerca de 700 pessoas. E há outras 400 na rua a aguardar uma solução.
A crise migratória atinge uma dimensão preocupante. O Governo da cidade e fontes policiais anunciaram que este ano foram retirados 30 cadáveres do mar, quando tentavam alcançar Ceuta a nado.